De como a inveja dos fracos correlaciona-se com o poder dos mais fortes. A frase não é exatamente esta mas o sentido sim. Nietzsche em "A genealogia da moral" observa com genialidade o quão funesta pode ser para um provável futuro glorioso da humanidade a mesquinhez intrínseca à condição dos mais fracos. Quer dizer, da grande maioria.
Levada por inúmeros caminhos a desejar os desejos dos "inatingíveis", a massa medíocre não pode presenciar sem ter revelada a ela própria a normalidade de sua condição o desfilar dos seres que se adequam com mais presteza e precisão aos ideais da sociedade. O desinibido, o loquaz, o convicto, o desprendido, o habilidoso, o feliz, o magnético, o capaz, todas essas figuras sociais despertam na massa indiferente aos iguais a atenção à diferença dos diferentes.
As estruturas do mundo dotaram as pessoas das aspirações a serem o que não são e nunca serão. Ou a terem o que não têm e nunca terão. Quando o Ser e o ter fundem-se na identidade esmigalhada do mundo do Capital, nada mais sobra a não ser o não-Ser. Tendo, sou feliz, eu sou. Não tendo, não sou.
Tenho, logo existo.
Livros de aeroporto de auto-ajuda procuram vender a incorporação das "qualidades" descritas acima que os seres invejáveis possuiriam. O intercâmbio dessas "mercadorias" tão imateriais é, no entanto, algo muito difícil. Psicólogos e psicanalistas de plantão procuram vender algumas dessas mercadorias evanescentes, isto a muito custo e gasto de tempo. Tendo ainda a enxergar, no entanto, que as características invejáveis são quase que dons intrínsecos proporcionados pelas trajetórias sociais dos indivíduos. Dificilmente são adquiridas.
E. ao contrário de Nietzsche, acredito ainda que o "fardo" que os fortes carregam nada mais são do que uma parte essencial da existência da sociedade de classes em que vivemos. Os ideais não são Ideais, são transfigurações dos ideais sociais de distinção.
Normativamente a solução seria o fim da sociedade de classes? As disparidades desapareceriam? Não, em absoluto. No entanto, a maneira de as encarar poderia ser modificada. Eis a pedra de toque. A partir do ponto em que as pessoas tomassem ciência de que os parâmetros de grandeza e de pequenez são parâmetros históricos, datados, contruídos e nada absolutos, seria possível o fim da inveja. Logo, o fim do apequenamento diante do gigante.
Até lá, protejam-se ambos: fortes e fracos. A luta está lançada.
(ah, malandro, voltei ao velhos tempos!!! agora sim!! - ou não? - ah, sim, vai!!)
ps: comentem nos posts que dizem algo intelectualmente mais denso também, e não só naqueles em que a foto mexe com seu primitivo tesão... bjomeliga!
- ou não..rss.. -