sexta-feira, 13 de março de 2009

"Protejam os fortes da ira e da inveja dos medíocres!"


De como a inveja dos fracos correlaciona-se com o poder dos mais fortes.




A frase não é exatamente esta mas o sentido sim. Nietzsche em "A genealogia da moral" observa com genialidade o quão funesta pode ser para um provável futuro glorioso da humanidade a mesquinhez intrínseca à condição dos mais fracos. Quer dizer, da grande maioria.


Levada por inúmeros caminhos a desejar os desejos dos "inatingíveis", a massa medíocre não pode presenciar sem ter revelada a ela própria a normalidade de sua condição o desfilar dos seres que se adequam com mais presteza e precisão aos ideais da sociedade. O desinibido, o loquaz, o convicto, o desprendido, o habilidoso, o feliz, o magnético, o capaz, todas essas figuras sociais despertam na massa indiferente aos iguais a atenção à diferença dos diferentes.


As estruturas do mundo dotaram as pessoas das aspirações a serem o que não são e nunca serão. Ou a terem o que não têm e nunca terão. Quando o Ser e o ter fundem-se na identidade esmigalhada do mundo do Capital, nada mais sobra a não ser o não-Ser. Tendo, sou feliz, eu sou. Não tendo, não sou.


Tenho, logo existo.


Livros de aeroporto de auto-ajuda procuram vender a incorporação das "qualidades" descritas acima que os seres invejáveis possuiriam. O intercâmbio dessas "mercadorias" tão imateriais é, no entanto, algo muito difícil. Psicólogos e psicanalistas de plantão procuram vender algumas dessas mercadorias evanescentes, isto a muito custo e gasto de tempo. Tendo ainda a enxergar, no entanto, que as características invejáveis são quase que dons intrínsecos proporcionados pelas trajetórias sociais dos indivíduos. Dificilmente são adquiridas.


E. ao contrário de Nietzsche, acredito ainda que o "fardo" que os fortes carregam nada mais são do que uma parte essencial da existência da sociedade de classes em que vivemos. Os ideais não são Ideais, são transfigurações dos ideais sociais de distinção.


Normativamente a solução seria o fim da sociedade de classes? As disparidades desapareceriam? Não, em absoluto. No entanto, a maneira de as encarar poderia ser modificada. Eis a pedra de toque. A partir do ponto em que as pessoas tomassem ciência de que os parâmetros de grandeza e de pequenez são parâmetros históricos, datados, contruídos e nada absolutos, seria possível o fim da inveja. Logo, o fim do apequenamento diante do gigante.


Até lá, protejam-se ambos: fortes e fracos. A luta está lançada.

(ah, malandro, voltei ao velhos tempos!!! agora sim!! - ou não? - ah, sim, vai!!)

ps: comentem nos posts que dizem algo intelectualmente mais denso também, e não só naqueles em que a foto mexe com seu primitivo tesão... bjomeliga!

- ou não..rss.. -

3 comentários:

Renato Diniz disse...

renato' diniz

é...
A cada dia que passa, essse mundinho se transforma. (Progride?)
Apenas os olhares, relatos, traduções e interpretações mudam e tudo continua na mesma desesperança, mesmas ignorâncias. Parabéns pelo olhar. É sempre válido perder um pouco de tempo olhando ao redor nesse mundo em que quase tudo se transforma... QUASE. Outro dia sentado na praia.. som de violão, risadas e amores troquei as minhas baratas e imaturas idéias mundanas e sociais. As troquei por sentimentos, arte, essa coisa toda do lírico. Quem sabe um dia eu me arrependa da troca, mas o som e as cores me convencem que estou indo pelo caminho certo.

Você me ajudopu nisso, acredite.

Anônimo disse...

"Psicólogos e psicanalistas de plantão procuram vender algumas dessas mercadorias evanescentes, isto a muito custo e gasto de tempo. Tendo ainda a enxergar, no entanto, que as características invejáveis são quase que dons intrínsecos proporcionados pelas trajetórias sociais dos indivíduos. Dificilmente são adquiridas."

Ui!

Como eu estou em processo de limpeza (simbólico) do meu organismo, não farei um comentário tão à distância...

Tal processo consiste em tomar consciência do que é vocação e o que é passageiro em minha vida.

Processo leeeeento e complicado.
(Que seja eterno!)
Mas necessário.

E vô de Fróidi:

"É impossível fugir à impressão de que as pessoas comumente empregam falsos padrões de avaliação – isto é, de que buscam poder, sucesso e riqueza para elas mesmas e os admiram nos outros, subestimando tudo aquilo que verdadeiramente tem valor na vida. No entanto, ao formular qualquer juízo geral desse tipo, corremos o risco de esquecer quão variados são o mundo humano e sua vida mental. Existem certos homens que não contam com a admiração de seus contemporâneos, embora a grandeza deles repouse em atributos e realizações completamente estranhos aos objetivos e aos ideais da multidão. Facilmente, poder-se-ia ficar inclinado a supor que, no final das contas, apenas uma minoria aprecia esses grandes homens, ao passo que a maioria pouco se importa com eles. Contudo, devido não só às discrepâncias existentes entre os pensamentos das pessoas e as suas ações, como também à diversidade de seus impulsos plenos de desejo, as coisas provavelmente não são tão simples assim."



Tipo...

Depois de uma viagem complexa... penetrando as entranhas...

"...as coisas provavelmente não são tão simples assim."

Hahaha. Adoro isso.

Anônimo disse...

Joana, eu acredito:

O intelectualmente denso pode mexer muito com o primitivo tesão de algumas pessoas.

Aliás, se tem algo surpreendentemente amplo, é esse universo do que pode mexer com o primitivo tesão das pessoas.

As coisas mais absurdas podem mexer com o primitivo tesão das pessoas.

Ultimamente, ando me sentindo um dos caras mais normais do mundo.

Meus tesões são tão normais, que quase sinto vergonha.

No fim das contas, talvez se eu tivesse dito menos não ao sexo casual...

E casual NÃO quer dizer estrategicamente com qualquer um, claro.

Só acho que disse não nos momentos errados. Em quase todos eles, acho.
Acertei vez ou outra.
Acho, né?
Nem foram tantas assim.
Mas foram chances preciosas. Me consigo lembrar de todas.

E acho que isso tem TUDO a ver com o tópico, porque NUNCA fui medíocre o bastante para esconder essa e muitas coisas outras.

Sempre soube dissolver bem esses assuntos e, bem, tratar bem da minha saúde, eu mesmo, embora obviamente seja melhor eu ficar pelos ares muitas vezes.

Porque a sujeira vai cada vez mais fundo.

E isso tem TUDO a ver com caráter.

Ufa! Estou bem agora. Vou dormir.