domingo, 13 de janeiro de 2008

protuberâncias.




este sorriso que muitos chamam de boca
é antes um chafariz,
uma coisa louca
sou amativa antes de tudo
embora o mundo me condene
devo falar em nariz
(as pontas rimam por dentro)


e talvez me irrite pisar no impisável.

ou não, como é de hábito.

sábado, 12 de janeiro de 2008

para codorna.

conheci outros anjos sexuais.
é maravilhoso ver a mudança que se dá neles.
aqueles olhos límpidos e transparentes, aqueles corpos que compõem poses tão harmoniosas, aquelas mãos delicadas...como mudam quando o desejo se apodera deles!
os anjos sexuais!
são maravilhosos por ser uma surpresa tão grande, uma mudança tão forte.
tenho a certeza de que até a sua voz se altera.
já vi mudanças assim.
os olhos mudam.
como todas essas lendas sobre pessoas que se transformam em animais à noite.
como histórias de lobisomens, por exemplo.



(ou...)

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

não é só um. mas é.

um beijo
que tivesse um blue
isto é
imitasse feliz
a delicadeza, a sua
assim como um tropeço
que mergulha surdamente
no reino expresso
do prazer
espio sem um ai
as evoluções do teu confronto
à minha sombra
desde a escolha
debruçada no menu;
um peixe grelhado
um namorado
uma água sem gás
de decolagem:
leitor ensurdecido
talvez embebecido
"ao sucesso"
diria meu censor
"à escuta"
diria meu amor
sempre em blue
mas era um blue feliz.


- ou não. -

cante!!!




e o russo escreveu assim:

Brilhar para sempre,
brilhar como um farol,
brilhar com brilho eterno,
Gente é pra brilhar
que tudo o mais vá prá o inferno,
este é o meu slogan
e o do sol.



né?

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

valor.


'como somos uma espécie condenada, prisioneira num barco, como tudo é uma farsa de mau gosto, desempenhemos, afinal de contas, nosso papel; mitiguemos as penas dos nossos companheiros de prisão. decoremos o calabouço com flores e almofadas; sejamos o mais corretos possível.'


Virginia Woolf

(não?)

diferença???


a indiferença nada mais é que a incapacidade de perceber as diferenças. um estado anormal, no qual perde a nitidez a fronteira entre a luz e a escuridão, a alvorada e o crepúsculo, o crime e o castigo, a crueldade e a compaixão, o talento e a mediocridade.

ou não?

domingo, 6 de janeiro de 2008

amo a tua vivacidade,
os teus preparativos para voar,
as tuas pernas como um vicio,
o calor entre as tuas pernas.

sou demasiado galante contigo.
quero olhar para ti longamente e com ardor,
arrancar-te o vestido,
apalpar-te,
examinar-te.
sabes que ainda mal olhei para ti?
há ainda demasiada santidade presa a ti.
vivo uma expectativa perpétua.
tu vens e o tempo desliza num sonho.
é só quando te vais embora
que me apercebo completamente da tua presença.
e depois é demasiadamente tarde....

(ou não,
porque nunca é suficientemente tarde.)

- a única não-semelhança com o poema é o fato de você não usar vestido. -
-- ou não --
-( depende do ponto de vista)-